Cuidados no dia a dia
O papel dos cuidadores e da família
Cuidadores e familiares ajudam a colocar as orientações em prática, observar mudanças e levar informações para os profissionais que acompanham a pessoa.

Grande parte do cuidado acontece fora do consultório ou do hospital. É em casa que a pessoa faz as refeições, toma líquidos, usa medicamentos e convive com as adaptações necessárias no dia a dia.
Por isso, familiares e cuidadores podem ter participação importante. Essa participação não significa diagnosticar, escolher tratamentos ou alterar orientações por conta própria. O papel principal é compreender o plano, ajudar a colocá-lo em prática, observar o que acontece e comunicar mudanças. [1][2]
Transformar a orientação em rotina
Quando aplicável, quem participa do cuidado precisa entender quais alimentos e bebidas foram orientados, quais texturas ou consistências devem ser utilizadas, como preparar e conferir, como os medicamentos devem ser administrados e quando está prevista nova avaliação.
A família não deveria precisar adivinhar o significado de uma orientação. Quanto mais clara ela for, mais fácil será reproduzi-la na rotina.
Observar o dia a dia
- refeições mais demoradas;
- aumento do cansaço durante a alimentação;
- redução do que a pessoa está comendo ou bebendo;
- dificuldade nova com determinadas texturas;
- tosse ou engasgos que passaram a ocorrer com maior frequência;
- dificuldade para engolir medicamentos;
- recusa de alimentos ou bebidas antes aceitos;
- mudança importante em relação ao padrão habitual.
Essas informações ajudam os profissionais a entender como o plano está funcionando fora da consulta. O objetivo é observar o que acontece naturalmente, e não oferecer alimentos ou líquidos de propósito para testar a pessoa.
A informação precisa circular
Quando várias pessoas participam do cuidado, ajuda manter uma referência simples e atualizada com as orientações em uso, consistências indicadas, modo de preparo, administração de medicamentos, principais observações e data da última avaliação.
A pessoa continua participando das decisões
A presença de familiares ou cuidadores não deve retirar a autonomia da pessoa. Sempre que possível, ela deve participar das decisões que afetam alimentação, hidratação, medicamentos e rotina. Preferências e hábitos não substituem avaliação clínica, mas são informações relevantes para o cuidado.
O cuidador não substitui os profissionais
Família e cuidadores não devem decidir sozinhos qual textura utilizar, aumentar ou reduzir espessamento, escolher uma nova estratégia de deglutição ou modificar medicamentos. Quando uma orientação deixa de funcionar ou a condição muda, essa informação deve voltar para a equipe.
O cuidado também afeta quem cuida
A disfagia pode aumentar o trabalho necessário para organizar refeições, bebidas, medicamentos e consultas. Uma revisão sistemática identificou impacto sobre cuidadores em diferentes contextos, incluindo mudanças no preparo das refeições, rotina, vida social e necessidade de apoio. A intensidade varia entre pessoas e situações. [3]
Fontes e referências
- [1] American Speech-Language-Hearing Association. Adult Dysphagia, Practice Portal. https://www.asha.org/practice-portal/clinical-topics/adult-dysphagia/
- [2] Conselho Federal de Fonoaudiologia. Resolução CFFa nº 719/2023. https://fonoaudiologia.org.br/resolucoes/resolucoes_html/CFFa_N_719_23.htm
- [3] Rangira D et al. Understanding Burden in Caregivers of Adults With Dysphagia: A Systematic Review. 2022. PMID 34962832. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34962832/
Informação educativa não substitui avaliação profissional.

